Khelif celebra ouro após polêmica de gênero: “sou mulher como qualquer outra”

Boxeadora, reprovada nos testes de gênero do Mundial de 2023, conquistou 1º título olímpico do boxe feminino da Argélia
Boxeadora Imane Khelif, da Argélia, com a medalha de ouro conquistada em Paris. (Foto: reprodução / Peter Cziborra / Reuters)

Imane Khelif, da Argélia, a boxeadora colocada no centro de uma disputa de gênero na Olimpíada de Paris, venceu a chinesa Yang Liu para conquistar a medalha de ouro no peso meio-médio de maneira dominante, levando os torcedores ao delírio nesta sexta-feira (9).

“Sou uma mulher como qualquer outra mulher”.

“Nasci mulher e vivi como mulher, mas há inimigos do sucesso e não conseguem digerir o meu”, disse Khelif, de 25 anos, em entrevista coletiva.

Khelif, medalhista de prata no Mundial de 2022, e a boxeadora taiwanesa Lin Yu-ting estiveram nos holofotes em meio a uma disputa de gênero em Paris que tomou conta das manchetes e foi muito discutida nas redes sociais.

Khelif, que venceu por decisão unânime, é a primeira mulher argelina a conquistar um título olímpico no boxe — o boxe feminino está nas Olimpíadas desde Londres 2012.

“Oito anos sem dormir”.

“Oito anos cansada”.

“Agora sou campeã olímpica, estou muito feliz”.

“Quero agradecer a todas as pessoas que vieram me apoiar”, disse Khelif.

Janjaem Suwannapheng, da Tailândia, e Chen Nien-chin, de Taiwan, receberam medalhas de bronze.

Khelif e a bicampeã mundial Lin foram desclassificadas do Mundial de 2023 pela Associação Internacional de Boxe (IBA).

A organização disse em uma entrevista coletiva durante os Jogos de Paris que um teste de gênero as havia considerado inelegíveis.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) está usando regras de elegibilidade do boxe em Paris que foram aplicadas nas Olimpíadas de 2016 e 2021 e estas não incluem testes de gênero.

Julien Pretot — Reuters

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