Adolescentes de Maceió usavam IA para montar e vender fotos

Vítimas eram colegas de escola e os sete autores, de classe média e alta, foram responsabilizados
Parte dos aparelhos usados para cometer as adulterações de imagem foram apreendidos durante a operação da Polícia Civil. (Foto: reprodução / PC-AL)

A Polícia Civil concluiu inquérito em que responsabiliza sete adolescentes, com idades entre 14 e 16 anos, que estudam em escolas de alto padrão de Maceió.

Durante a operação, a PC cumpriu mandados em bairros de classe média alta da cidade, como Ponta Verde, Jatiúca, Mangabeiras e Serraria (bairro em que estão situados condomínios também de alto padrão), além da cidade de Marechal Deodoro, na região metropolitana.

Foram apreendidos smartphones, tablet e notebooks.

O material passou por análise da perícia técnica que apontou os responsáveis pela prática criminosa.

O inquérito foi concluído nessa segunda-feira (22), o inquérito que apurava a manipulação e venda de imagens na internet, com ajuda da Inteligência Artificial (IA).

A investigação iniciou a partir de denúncias das vítimas, a maioria colegas de escola dos adolescentes investigados.

O inquérito foi conduzido pelos delegados Daniel Mayer e Sidney Tenório, que apontaram os adolescentes como autores de atos infracionais análogos a associação criminosa, difamação em rede social, divulgação de imagem pornográfica em rede social contendo adolescente, e montagem ou modificação de fotografia pornográfica de adolescente.

Em abril a PC deflagrou a operação Deepfake e cumpriu mandados de busca e apreensão, identificando os envolvidos.

O inquérito policial será enviado para a Vara da Infância e da Juventude de Maceió. Caberá ao Ministério Público oferecer ou não a denúncia.

Investigações de imagens pornográficas

As imagens eram compartilhadas em grupos de WhatsApp.

Segundo os delegados, o principal articulador das montagens planejava comercializar as fotos montadas em outras redes sociais.

Cada uma seria vendida a R$ 10.

O grupo manipulava as imagens através da IA, sobrepondo o rosto de colegas de escola, principalmente meninas, em imagens sensuais e pornográficas.

Heliana Gonçalves — G1 / AL

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