Sobrevivente do acidente com ônibus na Serra da Barriga relembra terror

“Ele chegou a capotar comigo duas ou três vezes”, diz estudante convidado por vítima que chegou a ser socorrida, mas, não resistiu
Acidente em União: duas pessoas chegaram a ser socorridas e hospitalizadas, mas, não resistiram; uma criança, na segunda-feira, e Cícero, nesta quinta-feira – nove pacientes permanecem internados. (Foto: reprodução)

Narlison Moreira Oliveira, de 21 anos, é um dos sobreviventes do acidente que deixou 18 mortos e mais de 30 feridos após o capotamento de um ônibus na Serra da Barriga, em União dos Palmares.

Testemunhas informaram à Polícia Civil que ouviram o barulho de uma mangueira rompendo e que, depois disso, o veículo desceu de ré e despencou da ribanceira.

As causas do acidente estão sendo investigadas.

Narlison Oliveira é estudante de enfermagem e relembra dos momentos de terror que viveu no último domingo (24).

Ele apresenta arranhões no braço, fratura no tornozelo e precisou utilizar uma cinta ortopédica para proteger a coluna.

“O ônibus, no que foi capotando, o ônibus quebrou uma janela, ou alguma coisa, eu não sei, e eu fui jogado do ônibus”.

“Ele chegou a capotar comigo [dentro do veículo], eu acho que umas duas ou três vezes”.

“Eu caí literalmente sentado”, relembra.

Narlison perdeu amigos de infância no acidente, entre eles Heloíse Ferreira da Silva, 21 anos.

O estudante contou que foi Heloíse que o convidou para subir a Serra para participar do Projeto Pôr do Sol.

“Tínhamos o convívio de irmãos, como éramos irmãos”.

“Como somos irmãos, na verdade. Heloíse sempre foi uma pessoa maravilhosa”.

“Heloíse sempre foi uma pessoa parceira, uma pessoa companheira, uma pessoa que eu tinha orgulho em ter do meu lado, sabe?”

“A gente estava fazendo planos de fim de ano”, conta o sobrevivente.

A mãe de Narlison, Rosineide Moreira, conta como reagiu quando soube do acidente.

“Eu fiquei desesperada, tentando ligar para o celular dele, mas não estava dando área [de cobertura]”; ligando, a madrinha ligando, o irmão ligando e nada”.

“Aí só me veio na cabeça: ‘ôxe, meu filho morreu; acabou’. Só me veio na cabeça isso, que ele tinha morrido”.

Suposta falha mecânica

Motorista aparece em áudio falando sobre falha de ônibus em acidente na Serra

A Polícia Civil de Alagoas começou a ouvir, nesta terça-feira (26), as testemunhas e sobreviventes do acidente na Serra da Barriga.

O delegado Guilherme Iusten, que investiga o caso, disse que um depoimento vai ser fundamental para entender a dinâmica do que aconteceu.

“Foi muito importante a oitiva dele”.

“Ele relata a dinâmica que antecedeu o acidente, que o motorista teria conseguido subir uma etapa da Serra da Barriga, mas, em um dado momento, ele pediu para que os veículos que estavam atrás passassem por ele. A testemunha ouviu o barulho do rompimento de uma mangueira, e logo após houve o desligamento do veículo”, informa o delegado.

Antes de morrer, Luciano de Queiroz Araújo, que dirigia o ônibus, enviou áudios para a esposa dizendo temer um acidente.

Ainda não há informações oficiais sobre o que causou o acidente, mas Maria das Graças lembra que o marido relatou problema no freio.

“Quando ele saiu de casa ele disse ‘esse ônibus não vai subir [a Serra da Barriga]’, e eu disse ‘não vá, não’. Mas ele disse que tinha que ir para ganhar o pão de cada dia”, afirmou a viúva.

A Prefeitura de União dos Palmares informou, por meio de nota, que o ônibus envolvido estava com todas as vistorias em dia, conforme documentação e que as informações já foram disponibilizadas pela Procuradoria da Prefeitura aos órgãos competentes.

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