Você que é pai e mãe conhece a especialidade médica de hebiatria? De acordo com a médica Débora Baeta, pediatra e hebiatra, do grupo Oncoclínicas, a hebiatria é uma expansão da pediatria.
“Para a gente se formar hebiatra, a gente primeiro faz a pediatria”.
“Então, eu consigo atender crianças e adolescentes também”, explica.
O desafio dos pais é identificar o momento certo de deixar de levar a criança ao pediatra e começar a levá-la ao hebiatra.
Segundo a especialista, a própria criança pode manifestar esta vontade.
“Muitas das vezes vai partir da própria criança pré-adolescente, ela não vai se sentir mais tão confortável no consultório do pediatra, vai falar que lá só tem bebezinho, só criancinha e fica desconfortável, porque querendo ou não, o pediatra sempre foi o parceiro da mãe, né?”
“O hebiatra, ele vai ser o parceiro do paciente, do adolescente”.
“O adolescente é que é o foco ali daquela consulta, então vai girar em torno dele”, detalha.
Outra dúvida comum que surge no período de transição da criança para a adolescência, no caso das meninas, é se o ideal é lavá-las ao ginecologista quando começam a menstruar e não mais ao pediatra.
“A hebiatria está super preparada para atender as crianças que estão começando a menstruação, que tá começando a puberdade, aqueles pelinhos que estão nascendo, até a espinha que tá nascendo, o hebiatra pode dar algumas orientações, e a gente também lida muito hoje em dia com transtornos emocionais, ansiedade, depressão, hoje em dia a gente também tem muita obesidade, sedentarismo, muito relacionado àquele tempo excessivo de tela, aqueles adolescentes que ficam lá cinco, seis horas por dia no computador e no videogame, a hebiatria passa por tudo isso”, destaca.
Para a médica, nesta fase da adolescência, além da pressão, a família não consegue ter controle sobre o adolescente, o que pode desenvolver nele ansiedade e depressão.
“Quando vai chegando no ensino médio tem toda aquela expectativa de futuro, de Enem, então hoje sim a gente vê uma cobrança por um lado e às vezes uma falta de posicionamento de algumas famílias, então a gente vê tudo isso acontecendo um pouquinho aí, fazendo uma salada de fruta na cabeça dos nossos adolescentes”.
“A gente tem que entender o que o adolescente precisa e não o que necessariamente ele quer”.
“Porque querer a gente quer tudo, né?”, enfatiza.
“E aí se a gente vai suprir tudo o que o adolescente quer, a gente acaba podendo passar um pouquinho dessa falta de limites mesmo”.
“Então a gente tem que entender o que ele precisa e o que a gente pode oferecer”, analisa.
Débora Baeta, pediatra e hebiatra do Grupo Oncoclínicas, detalha que não existe uma idade precisa para levar o filho ou a filha ao hebiatra.
“Tenho pacientes que chegam no consultório com oito anos que já se sentem adultos”.
“E, do mesmo modo, chegam alguns com dezesseis anos que falam, mamãezinha, né?”, diz.
“Então a gente acaba vendo um pouquinho de tudo”.
“Tem que ser muito da percepção da família”, conclui.
Jacqueline Moura


