O espaço reproduz material do blog do jornalista Wagner Melo, do portal ÉAssim, a propósito da assembleia de credores realizada nesta terça-feira (10), para possível escolha de um comitê de fiscalização dos credores sobre a gestão do grupo de comunicação Organização Arnon de Mello (OAM).
Sob o título “Tim Maia tinha razão: até recuperação judicial virou terra de contradição”, o jornalista Wagner Melo cita o ponto que chamou a atenção dos credores: advogados trabalhistas votarem contra a constituição do comitê, ou seja, para que a atual gestão não tenha fiscalização externa.
Entre eles, o que respondeu por mais de duas décadas pelo setor jurídico do sindicato que representa os jornalistas de Alagoas, uma das categorias afetadas no processo em que estão as empresas de Collor.
A atuação do administrador judicial José Luiz Lindoso levou o Ministério Público de Alagoas a dar parecer pelo seu afastamento e no fim de maio foi noticiado que a Procuradoria da Fazenda Nacional denuncia mais uma irregularidade no processo pelo qual as empresas de Collor alegam tentar evitar a falência, mas tem se mostrado repleto de operações obscuras e carecer de transparência.
Uma solução que só deverá vir da intervenção de autoridades do âmbito federal, uma vez que na esfera estadual, está se mostram nulas ou inexistentes – como demonstra a própria denúncia da Fazenda Nacional.
Segue, na íntegra, o texto publicado no blog do jornalista Wagner Melo:
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Tim Maia já dizia que o Brasil é um país estranho, onde cafetões têm ciúmes de suas “contratadas”, prostitutas atingem o orgasmo e pobres são de direita.
Acrescentaria aí servidores públicos neoliberais e advogados trabalhistas que acham desnecessário a empresa em recuperação judicial, que deve direitos aos seus clientes, ter as contas fiscalizadas.
Foi o que aconteceu nesta terça-feira (10/06), quando houve uma assembleia para decidir sobre a instalação de uma comissão para fiscalizar as Gazetas, empresas de Collor em recuperação judicial desde 2019.
Ao final, vitória de Collor, na classe trabalhista – com 54,55% dos credores dizendo “não” e 45,45% votando “sim”. No quadro geral, que inclui todos os credores de todas as classes o resultado deu 74,23% pelo “não” e 25,77% pelo “sim”. A abstenção foi baixíssima: 0,61%.
Chocaria o Tim Maia saber que, entre os advogados que apoiaram a empresa está um profissional respeitado, que advogou por décadas para o Sindicato dos Jornalistas de Alagoas, e outros que votaram contra os trabalhadores que penam para receber seus direitos em meio a uma série de denúncias de irregularidades no processo de RJ da Organização Arnon de Mello (OAM).
O advogado e jornalista Marcos Rolemberg, que está à frente dessa ação e representa um grupo resistente de credores trabalhistas, juntamente com o escritório do advogado Marcelo Andreatta, um dos maiores especialistas do país em recuperação judicial, não desanimou com o resultado, que considera uma prova da força dos trabalhadores.
No entanto, ele esclarece que a criação da comissão de fiscalização seria muito importante para garantir a transparência no processo e evitar irregularidades como a retirada mensal de valores entre 100 mil e 500 mil reais pelo acionista Fernando Collor de Mello durante a recuperação judicial e sem que o administrador judicial tenha percebido.
“A estimativa é que tenham sido tirados da empresa, entre 2019 e 2022, já com a recuperação judicial acontecendo, R$ 6 milhões”, informou. Rolemberg afirma que, recentemente, a Gazeta foi acusada pela Fazenda Nacional de ter pegado, sem autorização judicial, R$ 5 milhões e 582 mil reais, que estavam penhorados como garantia numa execução fiscal. “O mais grave: a Gazeta não prestou conta desse dinheiro”, destaca.
Este espaço – Qr-sabr.com – procurou o advogado Paulo Romero, para ouvi-lo sobre o episódio.
E segue aberto à manifestação do profissional.
*Wagner Melo — jornalista
