Em meio à tensa relação entre o governo Lula e o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, o Partido dos Trabalhadores (PT) entra na confusão jogando ainda mais lenha na fogueira ao ingressar com uma ação na Justiça contra Campos Neto.
O pedido é para que ele seja impedido judicialmente de se manifestar politicamente em eventos públicos.
A ação é uma resposta direta a um episódio que ocorreu no dia 10 de junho, quando Campos Neto participou de uma sessão solene na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Diante de um dos maiores nomes da oposição ao governo Lula, o presidente do BC defendeu o estado mínimo e maior estabilidade para os agentes do mercado.
Posteriormente ao episódio, ainda no mesmo dia, Campos Neto participou de um jantar no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, a convite do governador.
No encontro, também estiveram presentes figuras como o ex-presidente Michel Temer (MDB) e o ex-governador de São Paulo e antigo postulante à presidência, João Dória.
A participação de Campos Neto no encontro foi criticada pelo PT e, também, por Lula, que nessa terça-feira (18), em entrevista à Rádio CBN, acusou o presidente do BC de atuar politicamente ao manter a taxa Selic, que define os juros no Brasil, em um patamar elevado.
“Nós só temos uma coisa no Brasil desajustada nesse instante: o comportamento do Banco Central”.
“Essa é uma coisa desajustada”.
“Um presidente do Banco Central que não demonstra nenhuma capacidade de autonomia, que tem lado político e que, na minha opinião, trabalha muito mais para prejudicar do que para ajudar o país”.
“Porque não tem explicação a taxa de juros do jeito que está”, disse Lula.
A responsável por articular a ação judicial é a deputada federal Gleisi Hoffmann, presidente do PT e crítica de Campos Neto por sua participação no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A ação acontece em um dia tumultuado para BC, que sedia nesta quarta-feira (19) a reunião do Comitê de Política Monetária para discutir o futuro da taxa Selic no Brasil.
No mercado, a expectativa é que o BC interrompa a sequência de cortes na taxa básica de juros.
Com a possibilidade de divisão entre os membros, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decide nesta quarta-feira (19) se corta ou mantém a taxa básica de juros, a Selic.
A recente alta do dólar e da inflação e os juros altos nos Estados Unidos trouxeram a indefinição se o colegiado encerrará o ciclo de cortes, que começou em agosto do ano passado, ou se fará uma última redução de 0,25 ponto percentual.
Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal com analistas de mercado, a taxa básica deve continuar em 10,5% ao ano até o fim de 2024.
Há um mês, a estimativa era de que a Selic encerrasse o ano em 10%.
Nas últimas sete reuniões, a autoridade monetária reduziu a Taxa Selic, com seis cortes de 0,5 ponto e um corte de 0,25 ponto, na última reunião, em maio.
Pedro Nascimento


