Projeto que proíbe delações premiadas de presos avança na Câmara

Decisão sobre votar requerimento de urgência para proposta deve ser tomada em reunião de líderes desta terça-feira (11); governo tenta barrar texto
Deputado alagoano Luciano Amaral (PV–AL), autor da proposta: para os críticos, projeto cria complicação para um tema que já tinha sido pacificado, a delação premiada como instrumento para ajudar nas investigações, que deputado quer extinguir. (Foto: reprodução / Bruno Spada / Câmara dos Deputados)

A Câmara dos Deputados poderá votar nesta semana o requerimento de urgência para um projeto que proíbe a homologação de delação premiada de pessoas presas. Incluído na pauta da última semana às pressas, o martelo deverá ser batido em reunião de líderes desta terça-feira (11).

O líder do PT na Câmara, José Guimarães, deverá pedir aos colegas que o requerimento de urgência da proposta seja retirado da pauta. Mas o texto já conta com o apoio de vários partidos na Casa, incluindo assinaturas de líderes de partidos como União Brasil, MDB, Solidariedade, Podemos, PL e PV.

Se a urgência for aprovada, a iniciativa permite que o projeto seja analisado logo pelo plenário da Câmara. A votação da urgência cabe ao presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL).

O projeto prevê que além da proibição do acordo de delação premiada por presos, as denúncias também não sejam baseadas somente nas informações da colaboração.

Conforme o autor da proposta, deputado federal Luciano Amaral (PV-AL), o objetivo é evitar que o acordo seja usado como instrumento de pressão para o andamento das investigações.

Mesmo negando que a proposta não vai anular delações recentes, a exemplo da homologação da colaboração do ex-ajudante de ordens Mauro Cid, o texto protocolado na Câmara não deixa claro esse ponto.

O vice-líder, Alencar Santana, disse que o PT será contrário ao projeto porque os parlamentares do partido não veem necessidade de urgência nessa discussão.

O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, disse nesta segunda-feira que o governo vai trabalhar para que projetos que acirrem o “clima de violência” entre deputados não estejam “no centro das pautas” da Câmara.

Entre eles, citou o que trata da delação premiada.

A proposta ainda pode atrapalhar o trabalho da imprensa já que cria pena de 1 a 4 anos e multa para quem divulgar o conteúdo dos depoimentos colhidos, estejam eles pendentes ou não de validação judicial.

Samantha Klein — CBN

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