Imagens mostram o avanço da lagoa na região com risco de colapso em Maceió

Problema levou à evacuação de mais de 14 mil imóveis em cinco bairros, afetando cerca de 60 mil pessoas
Localização dos poços/minas: somente um ano após o primeiro tremor, em 2018, que abriu rachaduras em ruas e imóveis, a empresa encerrou a extração de sal-gema, minério utilizado na fabricação de soda cáustica e PVC. (Foto: reprodução)

A Defesa Civil de Alagoas divulgou neste domingo as imagens aéreas da região que está em alerta em Maceió pelo risco de abertura de uma cratera do tamanho do Maracanã. As imagens impressionam. Numa foto, da na sexta-feira (1º), é possível ver o avanço da Lagoa Mundaú na região, com a área de asfalto construída pouco molhada.

Já na deste domingo, a água avançou completamente pela pista, o que mostra que o afundamento está maior.

A instabilidade no solo foi agravada por décadas de mineração feita pela Braskem e provocou a evacuação de mais de 14 mil imóveis em cinco bairros, afetando cerca de 60 mil pessoas.

Somente um ano após o primeiro tremor de terra que abriu rachaduras em ruas e imóveis, em 2018, a empresa encerrou a extração de sal-gema, minério utilizado na fabricação de soda cáustica e PVC.

A Defesa Civil está em alerta máximo e diz que antes a movimentação do solo era medida em milímetros por ano, quase imperceptível; agora a movimentação avança e é medida em centímetros por hora, por isso, toda a área está instável e há o risco de colapso a qualquer momento.

O solo onde está localizada a mina da Braskem continua cedendo em ritmo lento. A Defesa Civil de Maceió informou que chegou a 1,70 m o afundamento na área do dia 28 de novembro, quando começou o monitoramento devido ao risco de colapso, até este domingo (03).

A região tem outras 34 minas de responsabilidade da Braskem. Na área da mina 18, que pode colapsar, o solo cede 0,3 cm/h. Nas últimas 24 horas, desde a tarde de sábado (2) até a tarde deste domingo, o deslocamento de terra foi de 7,4 cm.

A área no entorno do Mutange já foi completamente evacuada, assim como na maior parte dos bairros vizinhos, Bom Parto, Bebedouro e Pinheiro. Segundo a Defesa Civil de Alagoas, o colapso da mina não representa mais risco para a população porque as regiões ocupadas estão a uma distância segura. Mas é preciso que as pessoas não transitem na região, bem como os pescadores que devem evitar trecho da mina 18 na Lagoa Mundaú.

De acordo com a Braskem, a acomodação do solo da mina pode ocorrer de forma gradual até a estabilização ou de forma abrupta.

A mineradora afirma que vem adotando as medidas para o fechamento definitivo dos poços de sal, conforme plano apresentado às autoridades e aprovado pela Agência Nacional de Mineração (ANM). Esse plano registra 70% de avanço nas ações, e a conclusão dos trabalhos está prevista para meados de 2025.

Michelle Farias, G1/AL

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