A Justiça Federal determinou, nesta terça-feira (17), que a Universidade Feral de Alagoas (Ufal) matricule imediatamente o jovem Davi Ramon da Silva no curso de medicina no campus Arapiraca, no Agreste de Alagoas.
Ele foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e teve a matrícula negada após uma avaliação da 24ª Banca Biopsicossocial (SiSu 2024.1).
A reportagem do G1/AL (responsável por este material) entrou em contato com Ufal e foi informada de que a universidade irá emitir uma nota, ainda nesta terça (17), sobre a decisão.
De acordo com a Justiça, o impedimento da matrícula se constitui em violação à lei 13.146/2015, que garante à pessoa com deficiência a igualdade nas condições e oportunidades.
“Eu fiz o Enem em 2022 e fiquei na lista de espera”, relatou.
“Como a minha cota é de baixa renda, pessoa com deficiência e [estudante de] escola pública, teve uma pessoa que não foi aprovada na questão da escola pública, então ela acabou sendo eliminada”.
“Foi quando eu fui chamado, entreguei os documentos, só que houve a greve e atrasou tudo um pouco mais”, conta Davi.
Após as suspeitas de que Davi é autista a família procurou uma neuropsicóloga para fazer as avaliações necessárias e comprovar o diagnóstico.
“Ele fez todos os testes, as escalas necessárias, escalas atualizadas, comprovadas e atualizadas e tem tudo isso dentro do relatório”.
“Todas as informações, inclusive numéricas, tanto é que o médico fechou o diagnóstico e, de fato, o Davi tem o Transtorno do Espectro Autista nível I de suporte”, afirma a neuropsicóloga Juliana Setton.
O nutricionista Adilson de Oliveira, passa por uma situação parecida com a de Davi.
Ele tem TEA, foi aprovado em medicina, também teve negado o direito à matrícula Universidade e procurou a Justiça.
“Um dos pontos que eles [integrantes da banca] mais questionaram foi a questão de eu ter uma família e conseguir trabalhar. Isso foi algo que me deixou mais indignado, não conseguir o direito a minha vaga porque eu tenho uma família e consigo trabalhar”.
“Como se isso fosse um sinal que desclassificasse alguém que tem TEA e fizesse sumir todos os sintomas que eu tenho associado a esse diagnóstico”, conta Adilson.
G1 / AL e TV Gazeta


