Credenciamento de clínicas para dependência está em fase de avaliação, informam responsáveis

Informação foi uma das debatidas em audiência na ALE sobre tratamento e internação involuntária
Plenário da Assembleia Legislativa, onde se realizou audiência, por iniciativa do deputado Cabo Bebeto – a discussão sobre tratamento de dependentes químicos e internação involuntária: “um dia, uma semana, um mês pode acarretar perda de vidas”. (Foto: reprodução)

Nesta segunda-feira (5), a Assembleia Legislativa de Alagoas realizou audiência pública sobre o “Tratamento de Dependentes Químicos e a Internação Involuntária no Estado”, promovida pelas Comissões de Direitos Humanos e Segurança Pública (CDHSP) e de Saúde e Seguridade Social (CSS).

A iniciativa partiu do deputado estadual Cabo Bebeto (PL), presidente da CDHSP.

A audiência foi aberta por Cabo Bebeto, que relatou ter sido procurado por pais de dependentes químicos que enfrentam dificuldades.

O objetivo da audiência, segundo Bebeto, é buscar soluções para esses problemas junto com a sociedade e as partes interessadas.

No entanto, o deputado lamentou a ausência da Defensoria Pública do Estado.

Durante o evento, o médico Urânio Paiva Ferro apresentou as alterações orgânicas e psiquiátricas causadas pelo uso de drogas, enfatizando que se trata de uma doença grave sem cura, mas com controle possível.

Ferro sublinhou a necessidade de espaços adequados para tratamento.

A psiquiatra Lúcia Santa Rita ressaltou que a dependência química pode ser ainda mais desafiadora do que outras doenças mentais.

Em seguida, o psiquiatra e psicanalista Everaldo Moreira compartilhou sua experiência de 50 anos na área, descrevendo o sofrimento das famílias como “atroz”.

O advogado e psicólogo Daniel Bento também destacou a importância de tratamento especializado, defendendo que a dependência química deve ser tratada em clínicas especializadas em vez de hospitais gerais.

O juiz Yulli Roter Maia discutiu o trabalho do Tribunal de Justiça de Alagoas e mencionou a resolução 487 do CNJ, que desde 2001 proíbe instituições asilares, enfatizando a necessidade de atenção integral para pessoas com sofrimento psíquico.

Yasmin Azevedo, da Secretaria Municipal de Saúde de Maceió, apontou que o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) não tem capacidade suficiente para atender à demanda, mencionando que a quantidade de dependentes químicos em Maceió é alarmante.

O desembargador Celyrio Adamastor comentou sobre as demandas recebidas pelo TJ e destacou que o debate sobre o tema está avançando estadual e nacionalmente.

“Nós não estamos enclausurados no poder judiciário”.

“Já foi uma redoma e hoje não é mais”, afirmou.

Vanessa Costa, da Secretaria de Estado da Saúde, falou sobre o processo de credenciamento das clínicas de tratamento, que está em fase de avaliação e será realizado por meio de um edital em conjunto com o município.

Cabo Bebeto concluiu ressaltando a importância da discussão, afirmando que a evolução das drogas e da sociedade exige uma resposta contínua.

“Um dia, uma semana, um mês pode acarretar perda de vidas”.

“Precisamos nos unir para resolver este problema e não fechar as portas”, enfatizou.

A deputada Fátima Canuto, presidente da CSS, destacou a importância de buscar soluções efetivas para o tema.

O advogado Leonardo Moraes, por sua vez, abordou a legislação e a falta de informações enfrentadas pelas clínicas de tratamento, ressaltando que o serviço prestado por essas instituições é crucial e não pode parar.

Participaram do evento Alex Costa, representando as clínicas de tratamento de dependentes químicos; Noélia Costa, do Fórum de Combate às Drogas; Mariele Bezerra, mãe de dependente; Márcio Valério, presidente da instituição Casa do Amor; Edson Maia Nobre, médico e diretor da Clínica Fé; o pai de dependente químico, Adelso José Ramos e o psicólogo Danilo Della Justina.

ASCOM Cabo Bebeto

Leia também